domingo, 5 de junho de 2016
quinta-feira, 26 de maio de 2016
A Minha Feira do Livro de Lisboa
Hoje é um dia especial, começa a Feira do Livro de Lisboa!
Partilho o texto que escrevi para a Revista Inominável, sobre a Feira do Livro, a que tenho a lata de chamar minha.
Agradeço aos Inomináveis, por me acolherem neste projecto tão interessante, que espero ver chegar a tantos leitores quanto possível. E não, a revista não é só sobre livros, descubram-na!
Deixo-vos os links para o Blogue da Revista Inominável, que publicou o meu texto em duas partes.
A Minha Feira do Livros de Lisboa #1
A Minha Feira do Livros de Lisboa #2
Acabou a espera, a Feira está quase a começar! Espero ver-vos por lá!
domingo, 1 de maio de 2016
segunda-feira, 4 de abril de 2016
sexta-feira, 1 de abril de 2016
Dia um
Dia um.
Retira a folha do calendário pelo picotado, com calma e
suavidade. Atenta no som do papel a destacar-se.
Rasga o mês que passou.
O tempo no caixote do lixo.
Corredores de Luz
Fecha a janela como quem encerra uma história.
Corredores de luz acordam o escuro do quarto pelas frestas
das portadas.
São lembranças que não se apagam.
sexta-feira, 25 de março de 2016
Doce despegamento
Percorreu todo o livro de trás para a frente, só para ouvir, no silêncio da madrugada, o som que as folhas, novas, faziam no doce despegamento umas das outras.
Agradeceu a insónia. As palavras que lhe voavam nos dedos embalavam-na acordada.
domingo, 6 de março de 2016
sábado, 27 de fevereiro de 2016
Segredos
Os segredos pesavam-lhe.
Fechava-os no coração, mas sabia
que é inevitável espreitar pelo buraco da fechadura.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016
Novos Habitantes - Janeiro 2016
E assim começa 2016, com os primeiros quatro livros de Janeiro. A vontade é, como sempre, de pegar em todos ao mesmo tempo...
domingo, 24 de janeiro de 2016
Fim
Silêncio. Absoluto silêncio. Não sinto o frio mas
estou numa gaveta gelada. É mais ou menos como as dos filmes mas menos
cinematográfica, mais velha e usada, menos brilhante. Se calhar é porque estou
dentro deste filme. Tenho uma etiqueta no dedo do pé. Fui aberto e cozido. O
médico falava do jogo de ontem enquanto registava os dados do meu aneurisma
cerebral. É estranho saber, já depois de morto, que tenho, ou melhor, tive um
aneurisma cerebral, que na verdade podia ter morrido a qualquer momento, se
calhar já há muito tempo. Agora, dentro da gaveta da morgue, teço considerações
banais sobre a vida, em como este facto, se o tivesse sabido, teria mudado a
minha postura. Teria? Teria mesmo sido suficiente para me fazer aproveitar
melhor, nem que fosse só um pouco, os meus dias? A possibilidade de morrer a
qualquer momento, se eu tivesse alguma vez pensado nisso a sério, teria feito
diferença? Mas a possibilidade de morrer a qualquer momento é tão realista, e
está tão presente que ninguém pensa nela. Afastam-se pensamentos sobre a morte
quando se está vivo, mas tecer estas considerações já morto é inútil.
Então quando? Quando podia eu ter decidido viver?
Viver de verdade, aproveitando dias e noites com a consciência da finitude, e
não com o medo do dia seguinte? Como poderia eu, em vida, ter realmente vivido?
E agora, morto, por alguma razão consigo ouvir os
meus pensamentos vivos e sentir a mais profunda solidão. Sabe-me bem esta
solidão serena e irremediável, até agora não está a ser muito mau estar morto.
Não tenho fome, sede, frio ou calor, não estou ansioso, não preciso de um comprimido à mão para pôr
debaixo da língua quando as horas me esmagam e o dia não tem piedade. Não ouço
as vozes, nem as ordens, ou as ameaças. É bom este silêncio na minha cabeça,
esta vontade de descansar, de parar, de ficar neste vazio como se tivesse
voltado ao início e pudesse começar de novo. Mas não posso. Eu já estou na
meta.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
O favorito do mês - Dezembro 2015
Quem me conhece sabe que não podia escolher outro para favorito. Em Teu Ventre, de José Luís Peixoto foi uma excelente forma de terminar um ano de leituras fantásticas.
Recomendo o livro e convido a ler a minha opinião aqui. Desta vez levam como bónus o video das fotografias (soa esquisito mas é isso mesmo) da apresentação da Moita. Com som se faz favor!
domingo, 3 de janeiro de 2016
Novos Habitantes - Dezembro 2015
O mês do Natal. Abençoadas todas as pessoas que não fazem ideia o que me oferecer e seguem as pistas que eu, desinteressadamente, vou deixando.
Bem hajam!
quinta-feira, 24 de dezembro de 2015
Postais de Natal
Os postais estão prontos. Escrevi cada um
como se pudesse falar com o destinatário. Imaginei-nos sentados na minha sala,
eu na minha poltrona preferida, tomando uma bebida e fumando um charuto devagar
e com prazer.
Dediquei cada palavra escrita a essas conversas
imaginadas. O riso bom que, fechando os olhos pude ouvir. O sol entrava
impetuoso pela vidraça larga enquanto eu dizia à Joana, olhos nos olhos, que
lhe desejo o melhor Natal de sempre. Beijei-lhe as mãos com amizade e fiquei
mais um pouco com as suas mãos nas minhas, sentindo a retribuição das minhas
palavras.
As minhas mãos estão frias, aqui, onde não
chega o sol. A luz artificial, demasiado forte e branca, ilumina os envelopes
fechados. Levanto-me e percorro a minha existência em poucos passos. Ouço o
silêncio, duro e constante, apenas interrompido pelo som das gargalhadas
imaginadas dos meus filhos. Ou então, chamando-me à realidade, o momento em que
o guarda abre a porta da cela. Também lhe dediquei um postal de Natal. Se em
tempos tinha gosto de os partilhar com os colaboradores da minha empresa, agora
faço-o com aqueles que, curiosamente, trabalham para quem está preso.
O que mais me custou foi escrever com uma
esferográfica transparente de bico constantemente borrado, e ter de, no final
da escrita, abanicar no ar o postal de modo a poder fechá-lo sem esborratar as
palavras.
É a primeira vez que passo o Natal na prisão.
Não é assim tão mau. Habituei-me a dizer que está tudo bem. Já o faço de forma
automática e convincente, junto-lhe um sorriso não demasiado rasgado, mas bem
treinado, e prossigo contando às visitas que estou a rentabilizar o meu tempo,
agora que os dias estão todos por minha conta. Digo-lhes que vou escrever um
livro, um romance sobre as minhas viagens. Mas no silêncio da noite, na minha
cela nua, eu sei que todas as palavras que escrever denunciarão o meu fracasso.
Amanhã a Joana deve vir, como faz todos os
Domingos. Sou eu que lhe seco as lágrimas enquanto mostro, forte, que estou
bem. Depois regresso a este mundo fechado de solidão com vozes. Vozes que não
me soltam os pensamentos e que, no silêncio da noite, me falam gritando. Por
vezes, tal é a necessidade de esquecer, tomo um comprimido para dormir. Não me
lembro do momento de aconchego que separa o estar acordado do entrar, suavemente,
no limbo da inconsciência. Penso de forma nebulosa antes do tombo fatal para o
vazio de uma noite negra e pesada, sem sonhos, sem memórias ou sensações.
Apago-me neste Natal que não quero viver.
Pai Natal, para mim, uns comprimidos para a
tristeza, por favor.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2015
Terei coragem?
Tiro o mapa da pasta para ter alguma coisa
para fazer e evitar observá-la. O contraste dos cabelos negros com a pele muito
branca e o vestido vermelho são um íman para os meus olhos. O que fará aqui
sozinha? Estará também no hotel?
De repente vejo o empregado ao meu lado para
anotar o pedido. Não o vi chegar. Não li a ementa mas pego-lhe de novo e aponto
para uma coisa qualquer que não percebo o que seja.
Finalmente olho para ela. Olho-a de frente e
fixo o olhar, como se fosse um jogo infantil em que vence o mais forte. Recua,
baixa os olhos. Parece incomodada o que me deixa ainda mais nervoso. Estou
demasiado desconfortável e sinto que está a chegar mais um ataque de pânico,
perco o controlo dos meus próprios movimentos e deito o copo de vinho ao chão.
O líquido espalha-se no tapete. Olhamo-nos ao mesmo tempo e eu sei que chegou o
momento de sair. Num impulso pego na pasta mas cai tudo. Guardei as coisas lá
dentro sem a fechar. Apanho o telemóvel e a chave do quarto do chão, guardo também
o mapa e alguns folhetos turísticos, visto o casaco e saio. O meu coração
parece um tambor, gotas de suor formam-se na testa, o cabelo bate-me nas costas
tal é a força que faço com os pés no chão e a velocidade com que me movo.
Tenho de ser rápido. Receio não chegar ao
quarto a tempo. Finalmente a porta do elevador abre-se, e eu caminho em ritmo
rápido pelo corredor. Só tenho tempo de entrar no quarto, abrir a porta da casa
de banho, levantar a tampa da sanita e vomitar.
Lavo a cara e recomponho-me. Sento-me no chão
enquanto seco o rosto. Largo a toalha e abro o cofre que está dentro do
armário, marco o código e a porta abre, tiro a arma e olho-a, seguro-a com as
duas mãos e pergunto-me se terei coragem.
Decido ligar ao detective. Já é tarde mas não
posso adiar mais. Procuro o cartão na pasta, nos bolsos do casaco e das calças,
sento-me na cama e apoio a cabeça nas mãos. Perdi o cartão. Qual era o nome
dele? Ivan? Ivan qualquer coisa…
quarta-feira, 16 de dezembro de 2015
Onde estás Sara?
Está sozinha à mesa. Olha-me sem disfarçar.
Os olhos negros entram pelos meus, que fogem sem ter para onde. Tapo o rosto
com a ementa. Desvio-a de vez em quando mas o olhar de falcão continua a
ameaçar-me. O vestido vermelho faz-me o coração correr, batendo-me forte nas
têmporas. Viro a página da ementa e já cheguei às bebidas, sem ter sequer visto
os pratos.
Olho pela janela mas a escuridão é total.
Inundou o campo verde onde as ovelhas pastavam esta tarde. Esta tarde em que passeei
sozinho nos momentos nossos, ou que seriam nossos. Sentei-me numa rocha e
procurei um trevo de quatro folhas num molho que arranquei, com força, da terra.
A minha falta de sorte não é novidade, mas a esperança de te ver aparecer no
carreiro e vir ao meu encontro, fez-me ficar horas ali. Tantas, que o frio
avançou pelo meu corpo galgando-me a vida. A minha alma morreu quando
desapareceste, o meu corpo podia ter ficado ali, com um molho de trevos
azarados na mão.
Pouso a ementa e evito olhar a mulher, mas sei que
continua a observar-me. Deve olhar-me as tatuagens e imaginar significados.
Lembro-me do dia em que tatuei a estrela na mão, o dia em que soube que no meu
céu haveria sempre, pelo menos, uma estrela. És tu. Ainda és. Estaríamos
casados agora, sentados a esta mesa a rir dos nomes estranhos na ementa. Desde
que cheguei que não entendo uma palavra escrita ou falada. Mas que fazer? Era
neste fim do mundo que querias passar a lua-de-mel. Toco na estrela e penso se
haverá alguém, além de mim, que faça, sozinho, a viagem de lua-de-mel planeada,
depois de um casamento que não aconteceu. Onde estás Sara? Eu vim para te
encontrar.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2015
Ivan
Está sozinho à mesa. Segura a ementa com as
duas mãos e eu, na mesa em frente, só lhe vejo a testa e as mãos tatuadas. Uma
estrela nas costas da mão direita, só o contorno, vazia, sem preenchimento. Uma
palavra circula-lhe a base do polegar, imagino um nome, alguém com um
significado especial talvez, estou longe para perceber.
Vira a página da ementa e um anel largo, de
ouro, com uma pedra quadrada, brilha-lhe no anular. Muda de posição e,
ligeiramente de perfil, sobressai-lhe a cabeleira longa, farta, já grisalha nas
fontes. A parte superior presa no alto da cabeça faz aparecer uma tatuagem que,
imagino, lhe ocupe a parte de trás do pescoço. Uma frase? Um nome? Um local?
Os fios pesados e grossos tapam-lhe as costas.
A indumentária negra confere-lhe um ar pesado, que poderia ser assustador se
não fossem os olhos tristes que agora se desviam da ementa e olham, vazios,
pela janela.
Pousa a ementa. Tira de uma pequena pasta rectangular,
de pele preta, um mapa da cidade e alguns folhetos com atracções turísticas. O
empregado aproxima-se e ele, distraído com os desenhos das ruas coloridas, nem
se apercebe que um homem alto, elegante e muito direito, aguarda, discreto,
pelo pedido.
O empregado, desconfortável, move-se de modo
a ser notado. Resulta e ele pega novamente na ementa. Faz o pedido apontando os
pratos, nitidamente desconfortável por não saber a língua local.
Novamente só, olha em redor e os nossos olhos
cruzam-se. Baixo os olhos para o prato, incomodada por ter sido apanhada a
observá-lo tão descaradamente. Sinto-o curioso, sei que me observa, num gesto
desastrado o seu copo cai no chão. O tapete absorve o líquido carmim, que se
espalha em pequenos rios pelas riscas da alcatifa. Olhamo-nos. Visivelmente
perturbado pega na pasta com intenção de ir embora. O telemóvel e a chave do
quarto caem pelo fecho ainda aberto. Apanha os haveres do chão com pressa,
evidenciando um estado de nervos sem justificação. Acho-lhe piada e sorrio para
dentro, cada vez mais intrigada com este homem solitário de comportamentos estranhos,
quase infantis.
Já de pé pega no casaco comprido, preto, que
estava pousado nas costas da cadeira e, num gesto ágil, veste-o. Pega na pasta,
já fechada e com tudo guardado, e sai da sala. Observo-o de costas, o andar
apressado como se fugisse, fazendo com que as abas do casaco fiquem para trás e
balancem à medida que se desloca. Um vulto negro de cabelos longos a
desaparecer pelas portas de vidro da sala de jantar.
O empregado volta. Segura a bandeja com o
jantar. Olha-me de forma interrogativa e eu encolho os ombros fazendo um esgar
esquisito com a boca. Olha em redor e, desistindo, regressa com a bandeja para
a cozinha.
Reparo num cartão-de-visita caído no chão.
Levanto-me e apanho-o. Observo e sinto a textura com relevos do papel
sofisticado. Francês, penso. Ivan, repito sussurrando.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2015
Os favoritos de Outubro e Novembro
Outubro foi, definitivamente, o mês da negligência aqui no blogue. Não há imagem de novos habitantes nem havia referência ao favorito do mês. "Flores", de Afonso Cruz, foi o que de melhor li em Outubro. "O Caçador do Verão", de Hugo Gonçalves, é a leitura eleita de Novembro; ainda não há opinião publicada porque isto de ir de férias faz muito mal! :)
Recomendo muito. Ambos.
domingo, 6 de dezembro de 2015
Novos Habitantes - Novembro 2015
Novembro foi um bom mês, mas Outubro foi ainda melhor. Infelizmente apaguei (sem querer) as fotos dos habitantes de Outubro e, por preguiça (já estavam todos arrumados e organizados por ordem nas estantes), não repeti as fotos.
Ficam os habitantes chegados em Novembro, que recebi, como sempre, de braços abertos.
Nota: após publicação do post verifiquei que, por lapso, não incluí na foto"A Hora Solene", de Nuno Nepomuceno. O livro andava a ser lido a quatro mãos e não respondeu "presente" quando o chamei para a fotografia.
Em jeito de compensação deixo o link para a minha opinião publicada e, claro, a recomendação da sua leitura.
domingo, 29 de novembro de 2015
Eu, Maria Ana
Já saíram todos. Mas eu ainda ouço as vozes e
os risos na minha cabeça. Doí-me a cara de forçar o sorriso. O batom custa a
sair e espalha-se para lá das fronteiras dos lábios como se eu fosse um palhaço
de boca disforme e cómica. Olho para os sapatos caídos no canto e sinto o ardor
de uma bolha que se formou no calcanhar. Sento-me. Olho-me ao espelho e procuro
na Maria Ana que me olha o que ficou dos sonhos da menina que meteu a vida num
smart naquele dia de chuva.
Levanto-me e olho as roupas no cabide. Toco
as plumas leves e suaves da gola do terceiro acto. Faz-me comichão no nariz e
tenho de encolher o espirro no meio das falas. Desvio a cara para o lado oposto
ao público e imagino-me a pegar fogo à gola quando chegar ao camarim.
Abro a gaveta e procuro algo normal para
vestir. Algo que me esvazie das personagens com quem vivo. Está um embrulho em
cima do móvel. Tem uma fita vermelha que termina num laço. Sei que é um livro. Procuro
um cartão. Uma pista. Um sonho que possa agarrar, guardar, e saber que foste
tu.
Eu vi-te na plateia. Estavas um pouco
escondido. Procuro-te em todas as sessões. Desta vez, antes do pano subir,
antes de me colocar na minha posição, procurei uma vez mais por ti, desejando
que a amizade seja maior do que a mágoa. Tremi quando te vi. Por me enganar nas
vezes que não vieste, dizendo que não é importante, apagando o desejo de
receber um sinal só para não me desiludir.
Quando segurei o livro contra o peito, virada
para ti, pegava-lhe com muita força para não se notar que as minhas mãos
tremiam. Puxei do vozeirão para abafar a emoção das falas ditas a duas vozes.
Na minha cabeça ouvia o meu eco. Eras tu.
Desta vez o palco foi nosso, como o foi tantas
vezes ainda antes de haver palco, na tua sala, no meio de papéis espalhados, o
único lugar onde fui princesa e me senti rainha de alguma coisa.
Pego no embrulho e desejo ainda mais que seja
teu. Largo-o e não o abro para o delírio durar mais um pouco. Observo-o e
deito-me a adivinhar que livro será, e viajo para as estantes cheias de pó
daquele Alfarrabista onde íamos juntos procurar peças de teatro. Inspiro e
consigo sentir o cheiro abaunilhado dos livros de folhas gastas, com histórias
escritas e histórias das mãos que os viveram.
Num impulso pego no embrulho e puxo uma ponta
do laço vermelho. O papel abre de imediato como se o laço fosse mágico e uma
vez desfeito todos os tesouros ficassem à vista. O livro não tem capa e as
páginas estão manchadas. Cheira a Invernos à lareira e chá quente. É o meu
favorito, para juntar aos outros, todos o mesmo. Agora sei que foste tu. Que
estiveste aqui, real, mas invisível para mim. Ou então fui eu, que naquele dia
de chuva, decidi não te ver mais.
Arrumo o livro na gaveta e guardo com ele os
sonhos. Visto o casaco. Calço os sapatos. Os mesmos, os que fazem doer, porque
eu sei que aguento. Porque quero sofrer só mais um bocadinho por não te ter.
Apanho o sorriso que fugiu. Há pessoas à minha espera.
Subscrever:
Mensagens (Atom)


















