domingo, 21 de agosto de 2011

A Ler "A Noite de Todas as Almas"


“- A que cheiro eu? – perguntei, brincando como pé do meu copo de vinho.
Por uns momentos pareceu-me que ele não ía responder. O silêncio estendeu-se até me olhar com uma expressão  anelante. Deixou tombar as pálpebras e inspirou profundamente.
-Cheira a seiva de salgueiro. E a camomila esmagada sob os pés. – Cheirou de novo e esboçou um pequeno sorriso triste. – Tem também alguns vestígios de madressilva e folha de carvalho tombadas – acrescentou em voz baixa, expirando – em conjunto com rebentos de avelã e os primeiros narcisos primaveris. E coisas antigas: marroio, incenso, pé-de-leão. Aromas que pensava já ter esquecido.
Abriu os olhos sem pressas e eu olhei para as suas cinzentas profundidades, receando respirar e quebrar o feitiço que as palavras dele haviam lançado.
-E eu? – devolveu ele a pergunta, sem desviar os olhos dos meus.
- Canela. – A minha voz era hesitante. – E cravinho. Por vezes parece-me que cheira a cravos, não do tipo que se compra na florista, mas os antigos, que crescem nos jardins das casas rurais inglesas.
- Cravos silvestres. – disse Mathew, os olhos enrugando-se de satisfação nos cantos. – Nada mau para uma bruxa.” (p. 183)

domingo, 7 de agosto de 2011

A neura dos livros


Gosto tanto de livros que me custa dizer o que quer que seja de menos positivo sobre eles. Mas a verdade é que nem sempre um livro nos toca da forma que esperávamos, ou nos envolve da maneira que possa ter envolvido outros leitores. Quando me acontece fico irritada e desiludida.
Esta semana aconteceu-me. Estava empolgada em ler “Antes de nos Encontrarmos” de Maggie O’Farrel que comprei recentemente. Iniciei a leitura com alguma expectativa dado que a opinião de outros leitores é bastante positiva. Li 197 páginas das 311. Gostei da escrita da autora, acho até que foi o que me “segurou” por mais de metade do livro. A forma como nos vai descrevendo as vidas das personagens deixando sempre algo em aberto, dando saltos temporais entre passado e futuro sem nunca deixar o leitor perder “o fio à meada” requer habilidade e inteligência. Mas a verdade é que (para mim) um livro tem de ter mais do que isso. Quando começo a pensar mais nos livros que tenho para ler do que naquele que é suposto preencher as minhas necessidades de leitura no momento, reconheço um claro sinal de insatisfação.
Quando assim é, e por muito que me custe, deixo de lado. Não digo que o deixe de lado para sempre que isso seria muito radical para o meu pobre coração amante de livros, mas deixo-o num local intermédio, uma espécie de purgatório dos livros, com um marcador na página onde parei, e deixo que o tempo me faça decidir se existe ou não regresso.
Inevitavelmente medito um pouco sobre se o problema é meu ou do livro e, como em qualquer história de amor, não se devem atribuir culpas mas sim seguir em frente. Foi o que fiz, comecei a ler “O Tigre Branco” de Aravind Ariga, uma excelente aposta. É um livro excepcional.

Paixão pela leitura

"Que outros se gabem dos livros que lhes foi dado escrever, eu gabo-me daqueles que me foi dado ler."
Jorge Luis Borges (1899-1986)

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Livros por ler


Às vezes farto-me de ler novidades. Dá-me aquela nostalgia de ir ver os livros que estão há mais tempo na estante, de lhes tocar, verificar que já perderam o cheiro a novo mesmo sem terem sido lidos. Parecem um vinho que guardamos para uma ocasião especial.
A minha última apreciação antes de dormir vai para a minha estante dos livros por ler. Deixei de contar quando atingi os 100 livros. É um bom número, eu acho. Não interessa saber quantos são, não vá o remorso impedir novas compras. Ai só eu sei a felicidade de trazer um livro novo para casa! É um dia em cheio!
Admiro sempre cuidadosamente um novo livro. Gosto quando não têm vincos nem marcas, quando as folhas ainda estão um pouco coladas e fazem aquele barulhinho tão característico. Registo o livro na minha lista e atribuo-lhe um número. Encontro o seu lugar na estante e perco-me a pensar quando chegará a sua vez de ser lido.

domingo, 31 de julho de 2011

Doce fim-de-semana!


Onde passo algumas horas (nunca as suficientes) do meu tempo de lazer.

Uma vida sem livros?

Por vezes penso o que seria a minha vida sem os livros.
Dedico-me a eles desde sempre, não há um dia que não leia. Estão por todo o lado em minha casa. Raramente me aborreço e não me lembro de sofrer de tédio. Quando não estou a ler penso e fantasio sobre a história do momento. Imagino tantas coisas, a que já foram escritas e as que poderão vir a ser. A minha imaginação está sempre a funcionar, a tornar os meus dias sempre mais criativos.
Quando a rotina me ameaça deixo a mente divagar para outros mundos, quando sou forçada a ouvir conversas daqueles que insistem em partilhar as suas vidas deprimentes, penso como um livro poderia fazer a diferença, como os livros me impedem todos os dias de cair no abismo da banalidade e das vidas cinzentonas desta humanidade toda igual.
Quando leio sou eu, mas posso ser centenas de outros eus. Crio filmes a partir de letras, componho músicas únicas que só eu posso ouvir, melodias deliciosas que me embalam para terras longínquas que podem ir do conto de fadas ao policial mais sangrento. Nunca tenho medo, quero sempre saber mais: Será que vão casar? Quem é o assassino? Oh! Porque é que ele teve de morrer?
Um livro, depois de escrito, deixa de pertencer ao seu autor. Eu, como leitora, quero fazer de todos os livros que leio meus.