quinta-feira, 30 de abril de 2015

Comunicar. Ou tentar.


Estamos sempre contactáveis e podemos falar com toda a gente de várias formas. Temos centenas de amigos. Mas na verdade estamos sozinhos, ou melhor, somos nós e o computador, o tablet ou telemóvel. Nós e coisas. Coisas não são gente.
Todos os dias estou em contacto e falo com muitas pessoas. Não falo. Escrevo. Escrevo com um dedo em dispositivos que, muitas vezes, acham que eu quero dizer uma coisa (que não é o que eu quero) e mudam tudo. Escrita inteligente. Magia negra. Boicote.
Contacto com meio mundo mas na verdade não falo com ninguém. Conversar cara-a-cara, falar e ouvir fisicamente é coisa rara, antiga. Não há tempo. Em casa, sozinhos, podemos falar com muita gente ao mesmo tempo, normalmente sobre inutilidades, e, quando são conversas sérias, tendem a correr mal, pois ninguém vê ou sente o que dizemos. Só as letras a aparecer. Tem-me acontecido ser mal interpretada, ver as minhas próprias palavras desvirtuadas pela minha incompetência na comunicação virtual. Quando quero esclarecer um assunto, por exemplo, sou chamada de dramática; se explico uma coisa que fiz sou julgada antes que possa dizer porquê. É a tal coisa de não haver tempo, nem para explicações, só para suposições.
Complicada esta coisa de comunicar actualmente. Devia haver cursos, agora que há cursos para todas as coisas, pois de repente deixámos de saber fazer seja o que for, e temos de ter cursos, formações e mais uma data de balelas inúteis que nos roubam o tempo todo, e por isso temos de falar com máquinas, desculpem, através de máquinas.
Pois estes cursos poderiam preparar-nos para os mal-entendidos. Já há bonecos com expressões que podemos utilizar, mas quando o caldo se entorna e a discussão de instala, meus amigos, ninguém de lembra dos bonecos.
Eu sou perita nestas confusões. Preciso de um curso destes já. Gosto de opinar. E pior que opinar, gosto de esclarecer, o que muita gente chama de “se justificar”. E já sabemos o que significa quando alguém tem de se justificar… não é que eu ache que tenha, mas se o outro acha que eu o estou a fazer… Pronto, está tudo estragado. Quem se justifica tem culpas no cartório, nisso não há dúvidas.
Nesta era de não ter tempo, nesta teia em que nos enredámos, de querermos fazer tudo, inclusive aumentar as horas do dia, não fazemos nada, ou pelo menos, não fazemos nada bem.
Nós queremos ser como as máquinas que usamos. Nós estamos todos a endoidecer.
Alguém quer conversar comigo com as máquinas desligadas? Bem me parecia que não.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

O favorito do mês - Março 2015


Esqueci-me do post do livro favorito do mês de Março. Ainda por cima trata-se de um dos melhores livros que já li e vou ler. Não, não faço futurologia. Sim, há coisas que se sabem. Não deixem passar "Teoria dos Limites", é mesmo imperdível. Opinião aqui.
Agora vou ali escolher o favorito de Abril. O tempo voa!

domingo, 19 de abril de 2015

Book Loving Girls - Portraits of women and their favorite book


Seremos 100. 100 Book Loving Girls. E eu adorei participar neste projecto. O mais difícil foi escolher o livro favorito, pois não sei qual é, o que me levou a selecções de preferidos. Neste ponto Mario Varga Llosa é uma inevitabilidade, aquele escritor ao qual regresso sempre com a convicção de que a leitura será um grande prazer.
De entre os livros lidos há a personagem, para mim inesquecível, de Dom Rigoberto. Homem apaixonado pelas coisas boas da vida, todas, e com uma casa recheada de livros. É possivelmente, de entre todos os livros que li, a minha personagem favorita.
Livro escolhido. Local escolhido e autorizado. Obrigada aos amigos da Livraria Leya na Buchholz, pois em que outra livraria poderia sentir-me assim em casa? E em que outro local poderia fazer as fotos senão numa livraria?
E ao Mário, claro, o fotógrafo empático que, click, click, click, fez surgir uma Márcia feliz, bonita, tantas vezes escondida. Atrás dos livros e de outras coisas. O resultado está à vista e partilho com muito prazer. Obrigada Mário Pires. Guardarei a memória desta manhã para sempre, no pc, e no coração.
Conheçam aqui todas as Book Loving Girls.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Novos Habitantes - Março 2015


No topo da pilha o livro da minha querida amiga Paula Dias, que foi apresentado no dia 28 de Março, num encontro intimista com casa cheia de amigos. Acolho com entusiasmo todos os habitantes, mas este é especial.

domingo, 22 de março de 2015

Colectânea de Contos Desassossego da Liberdade

Partilho o booktrailer desta Colectânea, onde participo com o conto "Tempo Vazio". Ver o meu nome neste video foi uma emoção única. Estou tão bem acompanhada.


Esta Colectânea precisa do vosso apoio.
Saibam tudo aqui:
Citando a minha amiga Fernanda Palmeira, "grão a grão chegarão à edição". Não é maravilhosa esta frase?

Organização de Sofia Teixeira. Edição Livros de Ontem.

domingo, 8 de março de 2015

O Último Europeu, de Miguel Real, na Comunidade de leitores leya em grupo


Mais uma sessão memorável. Os livros mais controversos permitem as melhores conversas e trazem novas visões à leitura. Pessoalmente o livro desiludiu-me, ficou aquém de outros que li do autor. Contudo, a forma como Miguel Real expôs o processo de escrita, e explicou, de forma simples mas completa, as suas ideias, deu-me (e ainda bem) uma perspectiva diferente.
Assim como contribuíram as opiniões dos meus ilustres companheiros de tertúlia, que fazem com que a primeira parte destas sessões seja sempre a mais apetecida.
E o Ricardo Duarte, o moderador que também opina, porque não resiste e ainda bem, que também é chef, e que acaba por fazer o trabalho quase todo na segunda parte, que nós gostamos de falar é quando ninguém está a ver.
Opinião aqui.