domingo, 5 de julho de 2015
Novos Habitantes - Junho 2015
Seis livros comprados da Feira do Livro de Lisboa. Nove livros oferecidos por autores e cedidos por editoras.
Uma Feira contida nas compras mas voraz nos encontros, conversas e partilhas. O ano em que descobri uma Feira diferente, de amizades novas, de bons regressos.
sábado, 4 de julho de 2015
Ouço o silêncio
Ouço o silêncio. Agora, que só restam uma ou
duas vozes no fim da festa, eu ouço o silêncio da noite que, finalmente, cai
sobre a casa.
Despedidas à varanda, acenos aos amigos que
partem. A mesa em desordem, copos meio cheios e garrafas vazias. O eco das
gargalhadas na minha cabeça, a visão dos sorrisos, o arrepio dos abraços.
Fechar a porta e voltar ao início. Apagar a luz e ouvir. O silêncio.
quinta-feira, 2 de julho de 2015
Os livros levam-nos um ao outro
Os livros levam-nos um ao outro, disse ele. E
eu fiquei a tarde toda a pensar nisso. Frase bonita, disse eu. Mas é pouco,
apenas duas palavras que não chegam para o que eu gosto do caminho para ele.
Poderá o longe diminuir com os livros que nos
guiam? Os que lemos à noite no silêncio dos olhos que olham livros e tudo o que
mais podem, para guardar o perfil e o gesto, o sorriso, e as palavras dentro
dos olhos. As que dissemos sem pensar. As que pensamos e não diremos. Mas que
podemos escrever e guardar escondido. Ou dar. Sem medo que fiquem para sempre,
mesmo depois de tudo passar.
E quando passar, pode ser que os livros nos
levem, outra vez, um ao outro.
quarta-feira, 3 de junho de 2015
Casamento
Estou contigo porque gosto dos nossos dias todos iguais.
Encontrei aquilo de que os outros fogem. Rotinas. Gosto de saber com o que
posso contar. Controladora? Pouco aventureira? Todos gostamos do nosso canto, e
o meu é na companhia dos nossos silêncios, das coisas que gostamos, de sermos
uns bichos do buraco enquanto os outros exibem as suas vidas em festa.
Escrevo isto com as unhas da mão esquerda pintadas e as
da direita por pintar. Aproveito estas linhas para o verniz secar. Parvoíces.
Pintar as da mão direita é mais difícil, requer treino, aperfeiçoamento,
engenho. Agora já o faço melhor. É como essas teorias das pessoas que vivem
juntas, que superam crises e cedem e abdicam de coisas para ter outras. Eu faço
o que me apetece, não cedo, sou mandona e parva. Não posso estar com alguém
para ser o que não sou. Ao menos aqui, connosco, sou eu. Em outros palcos sou a
actriz falhada que sabes, da tristeza frustrada do fim do dia, de saber que o
dia seguinte será igualmente mau.
“Dói-me a garganta. Tu também minha querida.”
É por isto. Pela tua incondicionalidade mesmo quando não
me ouves. Pela constante segurança expectável. Pela ausência de surpresas, que
detesto. Ou só porque estás meio a dormir e já não escutas com clareza, mas
mesmo assim respondes algo revelador deste segredo.
Fotografia de Rui Garrido
terça-feira, 2 de junho de 2015
O favorito do mês - Maio 2015
Escolha fácil e óbvia, saibam porquê aqui.
E amanhã é o lançamento. 18h30 na Fnac do Chiado. É de ir! :)
segunda-feira, 1 de junho de 2015
Novos Habitantes - Maio 2015
Obrigada ao Nuno Nepomuceno e ao João Reis por me terem oferecido os seus livros, assim como à Planeta, Presença e à Topseller. Parabéns pela coragem, sabe-se lá o que pode sair das minhas opiniões.
Os outros agradeço ao meu saudável vício por livros. Assim me convenço.
Isto é bonito, tenho de agradecer mais vezes.
Espero por ti
Espero por ti. Há tanto tempo que espero por ti e nunca
mais chegas. Ponho de lado a revista, pego no livro. Leio uma linha e levanto a
cabeça a ver se vens aí. Nada. Levanto-me. Estico-me. Espero-te. Todos os dias
desde há tanto tempo.
Então penso em ti. Ouço o teu riso na minha cabeça, como
uma música que tenha gravado para nunca mais esquecer. E é esse riso feliz que
me ampara de noite, quando adormeço no sofá e espero que o dia volte.
Sonho que me tocas e acordo. Em sobressalto. Mais uma
memória, não és tu. Sou eu. Só eu. Está calor e abro a janela para a noite sem
lua. O ar quente entranha-se na pele, formam-se gotas de suor no meu pescoço,
que imagino serem os teus lábios, os teus beijos, o teu cheiro.
Regresso ao meu banco na estação. Levanto o olhar a cada
comboio que chega, expectante quando as portas se abrem, e os passageiros
ganham o chão do seu caminho. Eu estou aqui e tu? Virás? Passou algum tempo,
não somos os mesmos. Passaram anos, demasiados talvez, outras pessoas.
Pensarias em mim com outras? Eu pensei. Muitas vezes. Demasiadas. Por isso
imagino o que poderia ter sido. Imagino incansavelmente. É esgotante pensar
tanto. Querer sempre o que não se tem, achando que o que se quer é o que se
merece.
Arrefece. Visto o casaco. Lembro a noite em que vagueámos
sós pela cidade. De madrugada ficou mais frio, a noite engoliu o Verão só para
os teus beijos me fazerem arder. Bebemos vinho ao pé do rio e o céu foi ficando
mais claro. Uma noite é o ciclo do que quer que houve. Isso e a promessa do
reencontro aqui, no mesmo lugar, uma experiência sociológica parva, todo este
tempo atormentada pelo “se”. Se eu esperar ele também espera? Se eu for ele
também vai? O dia chegou, eu estou aqui, com os sons daquela noite e o teu
cheiro na memória.
||
De comboio o tempo passa devagar e eu tenho pressa de te
ver. Porquê tanto tempo para este reencontro? Tanto tempo perdido à espera,
enganando os dias com outros encontros e as noites com outras na minha cama.
Éramos miúdos mas eu sabia, nessa noite, que estaria aqui, hoje, neste dia
marcado.
Quando sair do comboio será da mesma forma? Virás contra
mim sem veres por onde andas? Distraída com as malas procurando a linha,
atrasada para o comboio. O comboio não esperou que os nossos olhos se
largassem, e ficámos sós, a meio das viagens, numa encruzilhada de desejos
novos.
Olho pela janela e reconheço a paisagem. Ainda estou longe e já procuro por ti. Virás ter comigo?
Olho pela janela e reconheço a paisagem. Ainda estou longe e já procuro por ti. Virás ter comigo?
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