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domingo, 28 de dezembro de 2014

Uma frase por cada livro lido em 2014


Um dos meus primeiros posts de 2014 foi sobre o Frasco das Frases. Para recordar aqui.

Hoje publico uma foto do frasco cheio com as minhas frases favoritas dos livros que li este ano. Adorei o resultado. Ver assim o frasco cheio de papelinhos coloridos, todos com um significado especial, poder tirar um aleatoriamente e recordar aquela leitura marcante.

Na maioria destes papeis estão excertos de livros de autores portugueses, pela primeira vez li num ano mais autores portugueses do que estrangeiros. O que me deixa mesmo muito feliz.
2014 foi um ano de grandes leituras e de grandes descobertas!

domingo, 16 de fevereiro de 2014

O Mar


“O mar é a mais líquida, a mais extensa e a mais habitada das metáforas. Transparente, mas parece azul por reflexo do céu. Também pode ser verde, depende das algas transportadas ou do grau de poluição. Tem os abismos do subconsciente, a metamorfose contínua da superfície. Tem grutas e recifes de coral. Destroços de naufrágios, despojos da humanidade a boiar. Às vezes, convulsiona-se, outras, estagna-se. Erguem-se vagas que se elevam a dezoito metros de altura, outras calmarias de tédio e sudação. Em poucos minutos ensaia-se uma tempestade, emissária das fúrias dos deuses, depois tudo se dissipa como uma bruma imponderável. Recomeça sempre, ondulação sem repouso, em cada onda um reinício do ciclo eterno, com a cadência de um verso. Tudo transita, tudo recomeça, tudo se dissolve, tudo se funde na ambivalência. É povoado por excêntricas criaturas, cardumes, espécies comedoras e espécies comidas, anémonas, medusas, crustáceos, florestas submarinas, sereias, baleias gigantes. É navegada por Caronte, Jonas devorado pela baleia e depois vomitado, por Ulisses, Calipso e outros argonautas. O mar é literariamente arável.” 
"Que Importa a Fúria do Mar", Ana Margarida de Carvalho, Pág. 137

domingo, 19 de janeiro de 2014

Frases para guardar em 2014


Resoluções de Ano Novo e balanços de anos passados não são comigo. O que está lido está lido, foi bom muito obrigada. Mas o melhor livro é sempre o próximo, assim espero, por isso quero ler sempre mais.
Mas não resisti a esta ideia da Cris do Efeito dos Livros, também membro da Roda dos Livros. Coleccionar num frasco as melhores frases dos livros lidos durante este ano. Este é um projecto que já está em prática e espero ver o meu frasco bem cheio. No final pretendo dá-lo a quem tenha curiosidade de ler os meus sublinhados. Talvez trocar de frasco com alguém que tenha a mesma ideia. Na verdade tenho alimentado o desejo de chegar ao fim do ano e fazer um post com os frascos da Roda dos Livros. Amigos da Roda, aceitam o desafio?

Para quem nunca alinha em resoluções, balanços e afins não está mal!

domingo, 15 de dezembro de 2013

Fazer o que se gosta


"Só uma escolha importa: a de fazer o que nos apraz. As outras não passam de deserções." (Os Anjos Morrem das Nossas Feridas, de Yasmina Khadra, Pág.310)

sábado, 7 de dezembro de 2013

A leitura alimenta quem?


"Os livros têm uma das características fundamentais dos seres vivos: reproduzem-se (como qualquer bibliófilo sabe), quando não estamos a olhar para eles. Precisam de ser alimentados pela leitura ou acabarão por morrer inanes.” (Enciclopédia da Estória Universal - Recolha de Alexandria, De Afonso Cruz, Pág. 93)

domingo, 17 de novembro de 2013

A sabedoria do silêncio


“- Como não falas, ouves mais. Isso é que faz a sabedoria. Os homens deviam ser mudos até certa altura e depois rebentavam. Seria uma coisa ensurdecedora. Um homem explodir toda a sabedoria que havia acumulado durante uma vida.” (Para onde vão os guarda-chuvas, de Afonso Cruz, Pág. 154)

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Viver para escrever


“Voltaste para o teu quarto, para a solidão do teu quarto, o mais pequeno de todos os quartos, que de vez em quando te empurrava para a rua em busca de prostitutas, mas seria injusto dizer que foste infeliz nele, porque não tiveste dificuldade em adaptar-te à penúria das tuas circunstâncias, achaste revigorante aprender a viver com quase nada, e não te importava onde ou como vivias desde que pudesses escrever.”
Diário de Inverno, Paul Auster, pág. 63

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Bons sentimentos


"O pequeno mistério da vida prazerosa. Porque será que não nos custa nada acreditar na ruindade, na crueldade e no horror do mundo, mas quando falamos de bons sentimentos se nos desenha um ricto irónico na cara e os consideramos umas patetices?" Instruções para salvar o mundo, Rosa Montero, Pág. 284

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Já não leio jornais


“O que é que estás a ler?
É um romance.
E os jornais?
Já não leio jornais. Já não leio nada que seja real.
Porquê?
Já sei como acaba.
Como é que acaba?
Não acaba bem.”
Índice Médio de Felicidade, David Machado, Pág.157

domingo, 6 de outubro de 2013

Memórias


"Em qualquer sítio onde vivem pessoas, as memórias acumulam-se como sedimentos no leito de um rio, pingando com o fluir do tempo e depositando-se nos lugares por ele percorridos." (Union Atlantic, Pág. 88)

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Tréguas


"Foi então que compreendi, ali a olhar para as águas brilhantes do Tejo. Compreendi que podia pegar noutro saco de pedras, pôr aos ombros outro saco de culpa ou de passado e suportá-lo pelo resto dos meus dias. Ou podia aceitar, confiar, harmonizar... dar tréguas a mim próprio." ( Último Acto em Lisboa, Pág. 389)

domingo, 8 de setembro de 2013

Ser personagem de um livro


"Como fazem os livros a sua magia? Como estabelecem eles uma relação tão estreita entre os leitores e as suas personagens que nos tornamos nessas personagens, à medida que vamos lendo? Mesmo quando - sobretudo quando - as personagens e o enredo são tão diferentes das nossas próprias vidas?" O meu ano mágico, de Nina Sankovitch (Pág.174)

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Livro terminado...


"Alguma vez sentiste desgosto ao terminar um livro? Um escritor ficou a sussurrar-te ao ouvido muito tempo depois de ter sido virada a última página?" Elizabeth Maguire, The Open Door

sábado, 31 de agosto de 2013

A Leitura, essa intensa atividade!


"Lê tudo, desde que mal possas esperar para o retomar." Nick Hornby, Housekeeping vs. the Dirt

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Assim é a Roda dos Livros


"Quando possuímos um livro com a mente e o espírito, ficamos enriquecidos. Mas se o passamos a outrem, o enriquecimento é triplo." Henry Miller, The books in my life.

Blogue da Roda dos Livros

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Uma solidão desejada


"Em toda a parte procurei repouso e não o encontrei, a não ser sentando a um canto, sozinho, com um livrinho." Tomás de Kempis

domingo, 25 de agosto de 2013

Precisamos de livros



"Precisamos de livros que nos afetam como uma catástrofe, que nos entristecem profundamente, como a morte de alguém que amávamos mais do que a nós próprios, como sermos banidos para florestas longe de todos, como um suicídio." Franz Kafka, carta a Oskar Pollack, 27 de Janeiro de 1904.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Uma estupidez que anestesia a cérebro


"Fiquei em casa e li durante não sei quantas horas, mas só li revistas. Não quero voltar a fazê-lo. Fico com uma horrível sensação de desperdício de tempo, qualquer coisa como se a estupidez me anestesiasse o cérebro." (Pág. 128)

domingo, 21 de julho de 2013

Livros


"1 de Dezembro

O meu pai ata palavras umas às outras,
numa corda muito comprida.

É capaz de atravessar o espaço entre prédios muito altos,
equilibrado em cordas de palavras.

E pode saltar.

E evadir-se da prisão.

Ele chama livros à suas cordas."

o livro do ano (pág.100)

sábado, 6 de julho de 2013

Loucura pelos livros


“Esse meu filho, o Francisco, sempre foi ensimesmado, assim meio, como dizer, talvez alheado do mundo. Nisso, ele saía a mim, mas às vezes até parecia que não sentia as coisas como nós outros. Mas ao contrário de mim, que só aprendi as primeiras letras, o Francisco teve sempre uma loucura pelos livros: lia tudo o que conseguia encontrar, leu toda a pequena biblioteca de Medronhais, posta à disposição do povo pelo Dr. Chagas, e todos os livros que lhe emprestassem. Mas qualquer coisa de estranho lhe deviam fazer os livros, pois a verdade é que, quanto mais lia, menos falava, como se só lhe interessasse conversar com as pessoas que estavam dentro dos livros.” (Madrugada Suja, pág.38)